Os anjos também curtem nail art, oras!

Ah, seja bem vinda, minha querida, e então, o que vai ser? Um vermelho granada? 
Ah, nail art?  Nude não! Tem que radicalizar, menina, nada de cores comportadas!
E pelo seu olhar, a noite pede unhas metalizadas. Como eu adivinhei? 
Eu ando inspirada, celestialmente inspirada.

Ah, muito trabalho, o tempo nem para. E tudo começou com um anjo desconte, 
Batendo as asas carentes, zanzava por aí... foi meio assim, que ele veio até mim. 
Era madrugada, já soprando a alvorada, ele viu numa estrela, as lindas palavras:

    
      E
               S
                        C
                                  A
                                            D
                                                      A
                                                               S agradas
                                                                                                         
                                                       E meio sem saber porque, ele desceu.
Andou andou por aí, até me encontrar sem querer
Pensa num dia morno, querida, salão vazio e de repente, uau!
Me entra a figura toda envolta em cor azulada
Mas as unhas (desesperei!!!)
Estavam tristes, sabe, meio roídas, quase tímidas
Ofereci rubis, ombré e francesinhas...

então, escutei, você conhece meu dom de ouvir né, logo aproveitei
   Fiz-lhe as unhas, de cor azul azul como seu lar celeste, nail arte em pura magia
Ele só queria falar do nada, da terra, do ar, da santa morada, da melancolia
E do tédio de ter lindas asas, sem nem saber como usar.

E depois, com as lindas garras, agora divinamente esmaltadas,
Sorriu contente, declarou-me manicure celestial e se foi

Desde então, legiões estão sempre por aqui...
O que ouço, menina, [ai meus ouvidos], mas...
De tudo que falam, tudo é sagrado segredo 
(as vezes safado)
E mais não posso dizer, sabe por quê?

Sou a manicure dos anjos, oficio que não quero perder!


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