Henry Evaristo e a Litfan



Ontem foi dia 16. Três anos que o Henry Evaristo morreu. Vez em quando, que saudade de conversar com essa pessoa. O Henry só conseguiu publicar um livro, sei lá, há quatro anos o cenário era bem outro, principalmente para quem escrevia terror. 

Na época, eu nunca tinha escutado a palavra fandom, a internet foi uma opção para encontrar pessoas que gostavam do que eu gostava: escrever e trocar ideias com quem gostava do gênero, discutíamos teoria, opções, bobagens tantas, a publicação parecia algo bem distante. 

Mesmo no mundo online, sempre fomos meio " a parte", acho. Muita coisa mudou. O mercado literário está crescendo, experimentando e nós, leitores e escritores, vivenciamos momentos diferentes em relação a isso. 

O Henry escreveu contos diversos, alguns , excelentes, outros, medianos. Escreveu poesias, em grande parte, irônicas e engraçadas, e com um tom gore muito diferente. Também fez música.

Como tantos de nós, tinha fases diversas. Sei que ele tinha um romance incompleto, alguns contos perdidos... esboços e rascunhos que discutíamos e não chegaram a tomar forma.

Se não fosse o Clube dos Autores, ele nem teria reunido seus contos numa publicação. Lembro que ele reclamou de alguns problemas de espaçamento, ele mesmo havia feito a diagramação em um pc que estava muito teimoso, e pelo que a mãe dele me contou, já estava no hospital quando pegou o livro físico. Mesmo assim, ficou feliz. 

Acho que mesmo que muitas vezes, pensamos e dizemos que escrevemos para nós mesmos, a publicação é como a concretização, é a promessa do leitor, é o gosto, o toque do realizado. Fico feliz que meu amigo tenha tido esse momento. 

Eu tenho o livro " Um Salto na Escuridão – Contos de Terror e Solidão", para mim, depois de ser horas de distração e leitura de qualidade, é o retrato de uma época ali tão pertinho e já distante. Da produção online e publicações em páginas e sites ao universo das antologias, das dificuldades de se escrever, do mercado editorial, do universo da litfan, das complicações e necessidades do cotidiano com a necessidade de ter tempo para escrever, pesquisar, trabalhar o texto, situações que não são novas nem vão desaparecer, a literatura sempre está meio entrelaçada com isso 

Sempre nos lembramos do Henry - os amigos mais chegados - porque era principalmente, uma figura fascinante: engraçado, polêmico, inteligente, interessante, chato, implicante também, e talentoso. Mas principalmente, porque ele amava a literatura fantástica e além da amizade, a admiração pelos escritos dele sempre foi muito real para todos nós. A irmandade, com todos as oscilações de ser um site coletivo, é ainda fruto dessa admiração.

Não sei se o Henry teria se tornado o escritor que poderia ser, ou se já o era e se um dia teria o reconhecimento que desejava. Isso não se pode prever, tantos deixam de escrever, ou simplesmente, continuam por si só, ou mudam o foco. Mas que ele nos faz falta, sim, isso faz. E o que fica para mim é a lembrança de um dos momentos da nossa litfan; que é tão novinha ainda, nos seus passos, apesar de ter já um bom caminho traçado, ainda tem muito a crescer.

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